Lula e o PMDB

Ao Redator:

Tereza Cruvinel, em coluna do dia 12 de Fevereiro entitulada “Lula e o PMDB”, discutiu alguns aspectos da aguardada reforma ministerial prometida pelo presidente Lula para o seu segundo mandato. Como Cruvinel adiantou, tendo se encontrado com líderes do seu próprio partido — o Partido dos Trabalhadores (PT) — no último dia 9, Lula se reuniu ainda com os líderes do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) dia 12, e com os líderes do Partido Progressista (PP) e Partido Democrático Trabalhista (PDT) dia 13. Já era hora!

A decisão do presidente de realizar a reforma ministerial apenas após as eleições para presidente da Câmara e do Senado estarem concluídas intencionalmente ou não teve como efeito influir na barganha política que usualmente cerca tais eleições. Agora, como Cruvinel bem observou, partidos que recentemente aderiram à base aliada, como é o caso do PP e PDT, pressionam por pastas consideradas estratégicas, enquanto o PMDB, que apesar de maior bancada optou por não lançar candidato próprio à presidência da Câmara, pressiona por mais ministérios.

Contudo, Cruvinel não tratou da principal incógnita que rodeia a reforma ministerial: o PT não quer ter sua participação no Governo diminuída, e tem pressionado o presidente para reconsiderar sua intenção de realizar uma significativa reforma ministerial. Portanto, ainda que trazer outros partidos para dentro do Governo possa ser uma boa alternativa para Lula construir uma base governista no Congresso, até quanto o PT vai corroborar com essa estratégia é o mistério que está em questão.

To the editor:

Tereza Cruvinel’s February 12th column entitled “Lula e o PMDB” shed light on President Lula da Silva’s long awaited second mandate’s ministerial reforms. After having met with the leaders of his own party—the Labor Party (PT)—on February 9th, Lula also met with the leaders of the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) on February 12th, and with the leaders of Progressive Party (PP) and Democratic Labor Party (PDT) on February 13th. It was about time. Whether intended or not, Lula’s decision to delay his ministerial reforms until the conclusion of the presidential elections for both Houses has affected the political bargaining process which normally surrounds these elections. Now, as observed by Cruvinel, allied parties such as PP, PDT and especially the PMDB are trying to grab up more ministries.

Cruvinel’s column does not fully address a crucial matter, though: the president’s PT is willing to see neither its influence nor the extent of its participation in the position of leadership decreased and has been demanding that Lula reconsider the idea of staging a significant ministerial reform a this time. Thus, whether opening the administration to other parties might be a way for Lula to take advantage of the opportunity for ministry reform to consolidate his cross party support in Congress is which is there to be seen.